Tenho uma vida ótima, mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o porteiro dizia seu nome e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de o elevador abrir a porta. E olhar para ele, com o seu sorriso misturado de pior e melhor pessoa do mundo. E olhar o brilho dos seus olhos sem saber se vinha da alma ou da lente de contato. Enfim: olhar e me sentir errando tanto e acertando muito. Isso tudo fazia valer os últimos dez, quinze, ou quarenta dias sem saber se ele estava ou não vivo.. Mas aí resolvi começar o ano fora dessa palhaçada. Essa não parece a história de uma mulher esperta ou que merece uma história melhor. Quem pode cobrar da vida uma história de verdade se fica alimentando uma coisa desse tipo? Chega! Por isso, com muito custo, chacoalhei minhas mangas. E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que não virou nada.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Se deixar passar, passa...
Tenho uma vida ótima, mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o porteiro dizia seu nome e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de o elevador abrir a porta. E olhar para ele, com o seu sorriso misturado de pior e melhor pessoa do mundo. E olhar o brilho dos seus olhos sem saber se vinha da alma ou da lente de contato. Enfim: olhar e me sentir errando tanto e acertando muito. Isso tudo fazia valer os últimos dez, quinze, ou quarenta dias sem saber se ele estava ou não vivo.. Mas aí resolvi começar o ano fora dessa palhaçada. Essa não parece a história de uma mulher esperta ou que merece uma história melhor. Quem pode cobrar da vida uma história de verdade se fica alimentando uma coisa desse tipo? Chega! Por isso, com muito custo, chacoalhei minhas mangas. E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que não virou nada.

terça-feira, 30 de novembro de 2010
Amar um homem e não um príncipe...

Você era meu príncipe. Depois de tantos amores estranhos, pequenos, errados e tortos, finalmente eu tinha reconhecido no seu olhar centralizado e no seu sorriso espalhado, o meu príncipe. E o meu príncipe estava me dando o fora. Que porra eu ia esperar da vida agora? Quem iria me levar para longe se você não me queria mais por perto? Não teve como. Foi a primeira vez na vida que não consegui me enrolar e acabei deixando a dor vencer. Pela primeira vez a realidade falou mais alto que a fantasia. Pela primeira vez a realidade da sua ausência falou mais alto que a fantasia de anos a sua espera. Sofri pra caralho, como diz por aí quem sofre pra caralho. Mais do que livros cabeças, músicas bacanas, frases inteligentes, lugares descolados ou posições sexuais, você me ensinou o que realmente importa aprender nessa vida: que a vida pode ser uma grande, imensa e gigantesca merda. É, ela pode ser. E que não existe porra de príncipe porra nenhuma. Que nem ninguém e nem nada pode te levar para longe de nada. É isso e pronto. E é assim pra todo mundo. E pronto. Qual o drama? A dor infinita dos dias infinitos que vieram depois do dia em que você se foi pra sempre veio misturada com toda a dor que eu não senti em todos esses anos. A dor do seu pé na bunda trouxe vasos jogados, bitucas eternas de cigarros em longas discussões pesadas, tardes perdidas em odiar o mundo, cabeças viradas, corredores frios, papéis de parede beges e grupinhos festivos e fechados. A nossa dor acabou sendo toda a dor que fazia fila em mim para ser sentida. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim faz tempo. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem em suas bizarrices, lê jornais todos os dias, substituiu o bege pela cor do verão, tem uns pais gente boa ainda que malucos, adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade. Amar um homem e não um príncipe.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010
É preciso ter vergonha na cara...

Vivo procurando a vergonha na cara que eu tinha antes de te conhecer. Já fui em todos os lugares incríveis onde nós estivemos juntos pra ver se encontro, mas nada. Nenhum vestígio da mulher fodástica que eu fui um dia. Nem sombra da imagem que me custou muitas cicatrizes pra conseguir formar. Passei a conviver diariamente com tudo que eu mais abominava na vida.. A lágrima presa nos olhos, a cara de quem não dormia há dias e as pernas bambas que nem me deixavam sair correndo, nem conseguiam esconder a minha fraqueza. Mil palavras complicadas e as ideias embaralhadas na cabeça. O peito gritando, te pedindo pra parar, pra ficar, pra me amar. Qualquer coisa, menos aquela cara de quem preferia ver o demônio em carne, osso e contas pra acertar naquele momento, menos eu. Hoje meu objetivo deixou de ser a tua felicidade e se tornou a minha busca por mim mesma, e acredite, eu não vou parar até me encontrar. Só não esquece que eu te amei de verdade. Que eu te dei todos os códigos secretos pra habitar dentro de mim e te deixei pintar meu peito com a tua cor preferida. Que eu fui a mais santa de todas as santas e a mais puta de todas as putas só pra te fazer feliz. E fiz, disso eu não tenho dúvidas. Nem mesmo rodeada de caminhos mais simples e melhores eu hesitei em passear contigo pelos vales mais assustadores da desordem, do medo, da insegurança. Era ali que eu queria estar porque era ali que eu podia te tocar, te sentir e te ter. Você chegou onde nenhum, jamais, conseguiu chegar. Eu fui sua garota por todos aqueles fantásticos dias e te deixei sentir a alegria de ter alguém incondicionalmente por perto. Qualquer infeliz no seu lugar se sentiria abençoado por todo sentimento nobre que eu te ofereci, que você aceitou, mas que levou embora. Deixando em troca um buraco do tamanho da camada de ozônio no meu peito. Agora chegou a hora de voltar pro pedestal. De continuar talhando essa imagem de bom moço que todos admiram e respeitam. Escondendo daqueles que são dignos de fazer parte da tua vida toda a sujeira que você faz quando esquece a razão e deixa o coração agir. Se por acaso, numa possibilidade extremamente remota, você sentir a minha falta, lembre-se que eu ainda vou estar procurando a minha vergonha na cara. E como você sempre chega tarde demais pra fazer alguma diferença, provavelmente eu já vou ter encontrado.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Diálogo de ex's...

- Só sei que nós nos amamos muito...
- Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
- Não, eu falei no passado!
- Curioso né? É a mesma conjugação.
- Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações...
- Pensar assim me assusta.
- Por que? Você acha isso ruim?
- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais...
- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?
- [Pausa] Pois é, também dá no mesmo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Tu olhas pra ti e te amas, é o que está certo...
Eu me arrebentei, assim, porque o nó era fraco. Frouxo. Mal dado. Eu afundei, em segundos, porque no meu casco havia um buraco milimétrico por onde o mar entrou, aos poucos. Inteiro.. Eu caí com o primeiro vento porque não havia tijolos. Eu era construção mal feita. Erguida na pressa. Madeira com pregos mal batidos. Fachada. Eu derreti ao sol porque era de plástico. Sumi no sopro porque era pó. Eu me quebrei na primeira queda porque, por dentro, não havia mais nada. Eu me sentia forte, sem saber que já era oco.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Hora de arrumar a vida...

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.
Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Promova o desapego...
Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. É o tipo da pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado do que humano. E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele. (...) Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e...será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas...um dia seremos nós a desaparecer. Mas a lição que eu aprendi no sábado é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com todas essas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Faço de conta que já te esqueci...
É duro ter que admitir quando uma batalhada é perdida, mas eu devo reconhecer: Você venceu! Pode dar aquela risada irônica e ao mesmo tempo sarcástica que só você sabe transformar em algo tão lindo, à ponto de me deixar bestificada. Você finalmente conseguiu me fazer desistir de tentar, o que não combina nem um pouco com o meu caráter, e mesmo assim eu faço na cara de pau em seu nome. Vamos nos reunir por várias e várias vezes como grandes amigos, beberemos, dançaremos e até pode acontecer de nos atracarmos com outras pessoas, afinal, é o que fazem os amigos, não?! E é o que deveríamos ter feito desde sempre. No final de uma balada quando formos nos despedir, aquele abraço apertado junto de uma voz que ecoa no pensamento diz o seguinte: "Não vai embora daqui, fica mais um pouco, e faz desse pouco um muito". Sejamos forte caro amigo, é só uma voz do sub-consciente dando mais um palpite errado, como aquele que ela deu no dia em que mantemos nosso primeiro contato, e nos trouxe a esse estado de constrangimento duplo, onde você não pode fazer absolutamente nada pra me querer na sua vida, assim como eu não posso fazer absolutamente nada para te tirar da minha. Vamos fazer de conta que foi Carnaval quando nos conhecemos. Você vestiu sua fantasia de super-homem e eu pus a minha de mulher maravilha, todos nos olhavam com admiração, faziamos uma bela dupla de amantes, mas o Carnaval acabou e só o que era real continuaria dalí por diante. Não foi o nosso caso, guardamos as fantasia e deixamos os prós e contras tomarem o lugar da diversão. Eu não sou muito boa nisso, como eu já te disse, realidade nunca foi o meu forte, eu vou estar sempre esperando que você venha me procurar pra fazer um Carnaval fora de época. Mas se é pra fazer de conta amigo, então que comece por mim mesmo: Faço de conta que já te esqueci.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O caminho é agridoce...
A folha está em branco. Essa relação disforme pode ter o significado que tiver, mas vai ser sempre superlativa em vários aspectos. Cabe a mim administrar na cabeça a responsabilidade de ter todas as fichas apostadas, sempre. Cabe a ti pegar na minha mão e jogar os dados. O sentimento que eu pulverizo em forma de palavra escrita abre espaço no meu peito para o que é novo. Me pego falando sozinho, perguntando pra mim mesmo até quando eu consigo sustentar por debaixo da minha cara sisuda o sorriso que me rasga a face de fora a fora. Talvez se eu te mostrasse tudo, tu passaria por cima de mais umas convicções. O caminho é agridoce, e começa debaixo desses lençóis dos quais a gente hesita tanto em sair.Como está o meu romance? Planando como o teu, e procurando ventos novos para jamais colocar os pés no chão novamente.

segunda-feira, 26 de julho de 2010
Se for pra me tirar do chão, tem que ser pra voar bem alto...
Saiba que não estou aqui pra levantar o tom, nem o volume da voz. Já o fiz por tantas vezes que hoje digo para mim mesmo: “não mais”. Não temos mais nada em jogo aqui, não é mesmo? Já me ocupam cada centímetro do peito os mesmos sentimentos que eu vivia na ocasião em que te conheci. Sinto-os como se fossem inteiramente novos. A circunstância é outra, a pessoa é outra, e até o próprio sentimento assume diferentes formas. Mas ele me estufa o tórax com tal força que eu me sinto impelido a cuspir tudo fora, sem foco ou direção.Eu tenho minhas convicções. Tinha. Quanto mais a vida avança, mais eu vou me acostumando a conjugar tudo no pretérito. É assim que te conjugo hoje. Olhar pra trás e ver-se contrariando todas as convicções que pareciam gravadas em pedra pode ser dolorido. E é, como em todas as vezes que assumimos nossos próprios erros. Eu tô passando por cima de muitas convicções, aqui. Eu tô quebrando uma porção de promessas infantis, também.
Mas quem sou eu, pra me contrariar?
Eu queria saltar de um avião e abrir o pára-quedas somente no último milésimo de segundo que me separaria da eternidade.
Mas aí alguém me chamou para planar...

segunda-feira, 12 de julho de 2010
Essa abstinência uma hora vai passar...
Quando lutamos contra nós mesmos, somos os únicos a colecionar feridas. Até que ponto vale a pena ater-se ao caminho da menor-dor, do baixo risco e do conforto calculado? Você grita para si mesmo com tanta força essa mentira, que acaba por não ouvir o peito clamando por um segundo de atenção. Mas eu consigo ouví-lo, quando ele encosta no meu, e sigo aguardando o dia em que a tua garganta, de tão rouca, deixe chegar aos teus ouvidos o que para mim fica claro toda vez que teus olhos fecham antes dos meus: é recíproco. Por isso que eu sempre volto, mesmo quando a minha autoestima implora para que eu espere por um sinal teu. Teus sinais foram dados; nós é que falamos línguas diferentes, quando o assunto é sentir e expressar. 
terça-feira, 6 de julho de 2010
Sou especialista na arte dos remendos...
Era cedo demais, mas essa sou eu, dando fim aos ciclos só pra gostar um pouco mais de mim. Ser mais eu do que eu fui instantes atrás. Sinceridade, admito que o preço é alto demais por ela, mas acumulam-se vários bônus pro próximo estágio de jogo, e eu vou cada vez mais confiante.. Tenho vidas extras cada vez que tu me joga um sorriso sincero. Se tenho medo? Não mais. Teceram-se teias ao nosso redor, feitas de sorrisos meus e teus. Fortes. É evidente que o jogo acabou e eu não preciso mais das vidas extras, mas, por algum motivo, tu continua do meu lado me jorrando sorrisos. E eu continuo tecendo nossa teia.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Guarde...
É chegado uma hora que precisamos abrir mão de algumas coisas pra seguir em frente, perder um pedaço pra ficar completo. É necessário deixar pra trás algumas coisas que julgávamos ser para sempre. Não falo em apagar, não. Tudo o que se foi vivido, deve ser arquivado na memória, mesmo os momentos de agonia. Mas sempre é preciso limpar esse arquivo, e dar lugar a sentimentos novos, rostos novos, mãos novas. Cada pessoa sabe quando essa hora chega, por mais que muitos não entendam, é da natureza humana.Daqui eu posso ver e reconhecer os olhares de reprovação que recebo, mas cada sentimento que eu abrigo em mim agora é novo, e só eu sei o quanto vale a pena intensificar cada parte receptora minha e ter reformatado meu cartão de memória interno.
Só não se engane! Guardei a sete chaves o conteúdo antes existentes, e repriso ele na minha TV sempre que sinto falta, pra não me deixar esquecer de nada.

quarta-feira, 16 de junho de 2010
Se um dia você se perder, vá lhe buscar... encontre-se!
Eu vim aqui me buscar. E aqui parecia ser longe, muito longe do lugar onde eu estava, o medo costuma ver as distâncias com lente de aumento. Vim aqui me buscar porque a insatisfação me perguntava incontáveis vezes o que eu iria fazer para transformá-la e chegou um momento em que eu não consegui mais lhe dizer simplesmente que eu não sabia. Vim aqui me buscar porque cansei de fazer de conta que eu não tinha nenhuma responsabilidade com relação ao padrão repetitivo da maioria das circunstâncias difíceis que eu vivenciava. Vim aqui me buscar porque a vida se tornou tediosa demais. Opaca demais. Cansativa demais. Encolhida.Vim aqui me buscar porque, para onde quer que eu olhasse, eu não me encontrava. Porque sentia uma saudade tão grande que chegava a doer e, embora persistisse em acreditar que ela reclamava de outras ausências, a verdade é que o tempo inteirinho ela falava da minha falta de mim. Vim aqui me buscar porque percebi que estava muito distante e que a prioridade era eu me trazer de volta. Isso, se quisesse experimentar contentamento. Se quisesse criar espaço, depois de tanto aperto. Se quisesse sentir o conforto bom da leveza, depois de tanto peso suportado. Se quisesse crescer no amor, como cresci.Vim aqui me buscar, com medo e coragem. Com toda a entrega que me era possível. Com a humildade de quem descobre se conhecer menos do que supunha e com o claro propósito de se conhecer mais. Vim aqui me buscar para varrer entulhos. Passar a limpo alguns rascunhos. Resgatar o viço do olhar. Trocar de bem com a vida. Rir com Deus, outra vez. Vim aqui me buscar para não me contentar com a mesmice. Para dizer minhas flores. Para não me surpreender ao me flagrar feliz. Para ser parecida comigo. Para me sentir em casa, de novo.Vim aqui me buscar. Aqui, no meu coração.

domingo, 13 de junho de 2010
"Sua espera termina aqui”...
Ela Andava acostumada a estar só, mesmo quando acompanhada de alguém-sem-presença. Então, olhou para o céu negro e quase não acreditou no que viu: uma constelação inteira lhe trazia um recado. E como pisca-piscas de natal, estrelas que formavam palavras encantadas contavam a boa-nova: "Sua espera termina aqui”. E teve a estranha sensação de ter 300 e 50 e 10 borboletinhas arteiras fazendo cócegas em seu estômago. Naquele instante, quase que automático, seus olhos foram de encontro aos dele. E qual foi a surpresa que teve ao notar que estava sendo correspondida. Bem que tentou conter o riso meio tímido e curto, em vão. Sem que desse alguma palavra de ordem percebeu todas as janelas da alma se abrindo e uma brisa fresca e perfumada entrando em seu peito, levando embora toda poeira e mofo de uma amarga ilusão. E foi tomada por um sentimento novo ao perceber que nenhum outro foi capaz de fazer por ela o que aquele moço de olhos castanhos fez: libertá-la do medo de ser feliz. O que antes era cinza, frio e triste canção se transformou em uma página virada de um livro velho e empoeirado que ninguém lê. Afinal, histórias assim não comovem as pessoas. Olhos que antes eram opacos, sem expressão, são agora “dois fãs, um par”. E sorriem, porque descobriram que além de se encantar com olhares, podem sorrir.

sexta-feira, 14 de maio de 2010
Não corra atrás do amor; deixe que, um dia, ele te encontra...
Se via alguém perfeito, sabia que estava nele mesmo a imperfeição de não ver defeito. Quando notava que algo não era, sabia que ainda assim um dia poderia ser. Quando tudo dava errado, cantava, não iria me entregar, a música levava o que a alma não mais podia carregar. Quando sentia a falta dele, mentia prá si mesmo, fingia que nunca tinham se conhecido. No instante em que conheceu tamanha saudade, sentiu medo de um futuro e do segundo seguinte sem ele, de uma vida incompleta, de um coração sem dono e de posses que não o pertenciam. Mas se o mundo trazia medos, procurava a certeza para continuar a acreditar. Quando perdia a certeza, passava a achar. E, assim, por anos e dias, ela achava que encontraria um grande amor e por achar ela finalmente um dia achou.

sábado, 8 de maio de 2010
No jogo do amor vence o mais forte, que resiste, arrisca, insiste, persiste até o fim...
Eu te encontrei. Procurando por ninguém, desejando ser feliz comigo mesma, eu te encontrei mesmo sem querer, mas eu te encontrei. Te encontrei onde eu menos pensei que poderia achar alguém como você, alguém que hoje significa tanto pra mim. Eu tentei negar, te ignorar, não me prender a um sentimento tão dominador como esse, que eu sinto por você agora, só que eu não consegui porque na verdade eu sou fraca demais pra isso. Eu sou fraca demais pra me manter longe de você. Como pode uma pessoa me fazer tão feliz assim? Como pode me fazer sorrir e chorar só se for de rir? Depois de tanto tempo, de tantas lagrimas e de tantos “ah deixa o amor pra lá, isso nem deve existir”, agora eu tenho certeza que o amor existe sim e que é lindo, tenho essa certeza quando olho nos teus olhos, tenho essa certeza quando o meu mundo para quando estou com você e as horas viram segundos, tenho essa certeza quando me beija, faz minhas pernas tremerem e meu coração bater a mil.
domingo, 2 de maio de 2010
Porque quando a gente muda o mundo muda com a gente...
Não quero e não vou me contradizer em NADA, também não retiro NADA do que disse anteriormente, minhas promessas serão cumpridas na medida do possível, mas devo admitir: TUDO MUDOU! (graças a Deus).Só isso.

sábado, 17 de abril de 2010
Certas pessoas são pequenas demais pra alimentar grandes sonhos...
Você sente. É impossível não sentir quando tudo o que você cultivou durante anos está para acabar. É como se existisse um pequeno sensor, um tipo de alarme de incêndio, que dispara quando a fumaça está começando a subir. Não tem hora marcada, muito menos data circulada com uma caneta vermelha no calendário de porta... Você simplesmente sente, não importando se está caminhando pelo parque, andando na esteira da academia ou se está assistindo o programa na televisão. A fumaça sobe, o alarme dispara... E você fecha os olhos, porque a sensação de perda é tão grande, o impacto do pressentimento é tão desesperante, que você desaba aos poucos... Enquanto ainda permanece em pé. Você sangra por dentro, você chora por dentro, você grita por dentro... E por fora, você dá um sorriso amarelo, sem uma gota de vontade, e, por orgulho, se força a continuar com o rosto erguido, enquanto escuta as palavras que sabia que escutaria saindo como navalhas da boca vigarista da única pessoa no mundo que você acreditou não ser capaz de magoá-lo. Você sente. Você se prepara. Mas quando chega a hora H, você simplesmente tem vontade de socar a parede e dizer que tudo aquilo não estava certo. Certas coisas mudam... Porque certas coisas precisam acontecer.

quarta-feira, 14 de abril de 2010
A paixão não precisa do "amor", mas o amor precisa muito da "paixão"...
Acho que tudo aquele aditivo se foi embora, agora sobrou o amor.E eu não gosto do amor, por que ele é estável, e eu nunca gostei das coisas que não sofriam mutações, que estavam sempre na mesma, cheias da falta de surpresas.
Eu sempre quis aquilo que não sabia quando ia e nem sabia se vinha.
Desejei as incertezas, em meio às palavras que me deixavam cheias de dúvidas.
Agora eu tenho apenas a mesma afirmação, e eu não gosto disso.
Quero de volta aquela paixão inconstante que rondava meu corpo e me deixava eufórica.
Aquele mal estar que eu sentia quando sabia que iria te ver. Minha boca ficava seca, minha barriga se mexia e eu nem sabia por quê.
Agora me diz, o encanto acabou?
