sábado, 16 de abril de 2011
Pense, repense, tripense...

domingo, 13 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011
Desperte!
Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a lembrar de onde é o céu e a perceber que o inferno é onde a gente mora quando tudo é sono. Comecei a sair dos meus desertos. E a olhar, ainda que timidamente, para todas as miragens, sem tanto desprezo, entendendo que havia um motivo para que elas estivessem exatamente onde as coloquei. Nenhum livro, nenhum sábio, nada poderia me ensinar o que cada uma me trouxe e o que, com o passar do tempo, continuo aprendendo com elas. Dizem que só é possível entendermos alguns pedaços da vida olhando para eles em retrospectiva. Acho que é verdade. Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que não importam todos os rabiscos que já fizemos nem todos os papéis amassados na lixeira, porque todo texto bom de ser lido antes foi rascunho. E, por mais belo que seja, é natural que, ao relê-lo, percebamos uma palavra para ser acrescentada, trocada, excluída. A ausência de uma vírgula. A necessidade de um ponto. Uma interrogação que surge de repente. Viver é refazer o próprio texto muitas, incontáveis, vezes.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Se deixar passar, passa...
Tenho uma vida ótima, mas nenhuma dessas coisas se comparava ao prazer que eu tinha ao ouvir o barulhinho de uma mensagem dele chegando. Ou de quando o porteiro dizia seu nome e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de o elevador abrir a porta. E olhar para ele, com o seu sorriso misturado de pior e melhor pessoa do mundo. E olhar o brilho dos seus olhos sem saber se vinha da alma ou da lente de contato. Enfim: olhar e me sentir errando tanto e acertando muito. Isso tudo fazia valer os últimos dez, quinze, ou quarenta dias sem saber se ele estava ou não vivo.. Mas aí resolvi começar o ano fora dessa palhaçada. Essa não parece a história de uma mulher esperta ou que merece uma história melhor. Quem pode cobrar da vida uma história de verdade se fica alimentando uma coisa desse tipo? Chega! Por isso, com muito custo, chacoalhei minhas mangas. E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que não virou nada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Mas passa, tu sabes...
Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última. Que muitas vezes você vai cair e hesitar não levantar-se, até uma próxima queda.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
É preciso sabedoria para fabricar a paz em momentos de guerra interior.
Sempre vejo de forma positiva quando alguém precisa ficar sozinho,repensar os fatos, se reciclar, se redescobrir em meio aos escombros emocionais. Para termos a confirmação de que somos feitos de céu, de sonhos, para reencontrarmos nossa essência estrelada. É preciso sabedoria para fabricar a paz em momentos de guerra interior.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Feliz Ano Novo!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O natal não é um período e nem uma estação, é um estado de espírito...


terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Porque quando a gente muda o mundo muda com a gente...
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010
Amar um homem e não um príncipe...

Você era meu príncipe. Depois de tantos amores estranhos, pequenos, errados e tortos, finalmente eu tinha reconhecido no seu olhar centralizado e no seu sorriso espalhado, o meu príncipe. E o meu príncipe estava me dando o fora. Que porra eu ia esperar da vida agora? Quem iria me levar para longe se você não me queria mais por perto? Não teve como. Foi a primeira vez na vida que não consegui me enrolar e acabei deixando a dor vencer. Pela primeira vez a realidade falou mais alto que a fantasia. Pela primeira vez a realidade da sua ausência falou mais alto que a fantasia de anos a sua espera. Sofri pra caralho, como diz por aí quem sofre pra caralho. Mais do que livros cabeças, músicas bacanas, frases inteligentes, lugares descolados ou posições sexuais, você me ensinou o que realmente importa aprender nessa vida: que a vida pode ser uma grande, imensa e gigantesca merda. É, ela pode ser. E que não existe porra de príncipe porra nenhuma. Que nem ninguém e nem nada pode te levar para longe de nada. É isso e pronto. E é assim pra todo mundo. E pronto. Qual o drama? A dor infinita dos dias infinitos que vieram depois do dia em que você se foi pra sempre veio misturada com toda a dor que eu não senti em todos esses anos. A dor do seu pé na bunda trouxe vasos jogados, bitucas eternas de cigarros em longas discussões pesadas, tardes perdidas em odiar o mundo, cabeças viradas, corredores frios, papéis de parede beges e grupinhos festivos e fechados. A nossa dor acabou sendo toda a dor que fazia fila em mim para ser sentida. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim faz tempo. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem em suas bizarrices, lê jornais todos os dias, substituiu o bege pela cor do verão, tem uns pais gente boa ainda que malucos, adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade. Amar um homem e não um príncipe.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Somos o que queremos ser...
Nunca é tarde demais, ou cedo demais, para ser quem você quer ser. Não há limite de tempo. Comece quando quiser. Mude ou continue sendo a mesma pessoa. Não há regras para isso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Meu chão eu fiz de mola...

Eu vou nomeando meus sonhos um por um. Colocando metas, fazendo projetos, com os dedos cruzados e minhas melhores vibrações. Claro que eu me frustro, faz parte da vida. Mas meu chão eu fiz de mola. Posso cair todos os dias, mas o resultado da minha queda é o impulso.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
O amor nunca vem antes...

O amor nunca vem antes. Não há oração, coração ou simpatia para que ele se anteceda. Vencer a nós mesmos, vencer a própria pressa, suportar e decifrar o descaso e descanso da hora. Esperar. Esperar como se não tivéssemos urgência, esperar como se a espera fosse o último motivo de não ir para frente. O amor nunca vem antes. Nunca antes da paixão, nunca antes da primeira oportunidade para pular do barco, nunca antes de conhecer o outro tão fundo a ponto de desistir. O sentimento seleciona ou anula, e entre um sim ou um não a linha é tão tênue e ao mesmo tempo um enorme abismo. Sim ou não. Uma escolha rende a história de uma vida, ou de duas. Escolher quando a chance de ser escolhido é bem maior. O amor nunca vem antes.. sempre virá depois do que pensamos ser amor.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Você me bastou até me faltar...
Desmedido, compulsivo e insensato.Acontece que uma hora isso tudo tem de amadurecer. Tá que amar desmedido é uma delícia, mas comedimento e racionalidade fazem muito bem, obrigada. Por entre lençóis sujos, eram muitas as vezes em que eu não entendia a minha permanência teimosa naquela cama vazia. Isso bastou até o momento em que não bastou mais. Você me bastou até me faltar.
Era um sentimento loucamente desenfreado, que fez o quarto ficar pequeno, o apartamento ficar pequeno, os sonhos ficarem pequenos. No fim das contas, foi você quem ficou pequeno demais pra mim. Me escorria amor por entre os dedos enquanto o destinatário tinha a caixa de correio abarrotada por envelopes ainda selados.
Amor em demasia, pra uns, é amor demais. Redirecionei. Aluguei um depósito, depois outro e outro. Não pedi nada de volta, deixei contigo as linhas torpes de um amor que não coube mais em cativeiro. Contigo ainda existem envelopes meus que hoje já não significam nada.
Comigo uma estranha sensação de que nada disso realmente aconteceu, uma seringa de anestésico local me mantém consciente de não mais estar sentindo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010
É preciso ter vergonha na cara...

Vivo procurando a vergonha na cara que eu tinha antes de te conhecer. Já fui em todos os lugares incríveis onde nós estivemos juntos pra ver se encontro, mas nada. Nenhum vestígio da mulher fodástica que eu fui um dia. Nem sombra da imagem que me custou muitas cicatrizes pra conseguir formar. Passei a conviver diariamente com tudo que eu mais abominava na vida.. A lágrima presa nos olhos, a cara de quem não dormia há dias e as pernas bambas que nem me deixavam sair correndo, nem conseguiam esconder a minha fraqueza. Mil palavras complicadas e as ideias embaralhadas na cabeça. O peito gritando, te pedindo pra parar, pra ficar, pra me amar. Qualquer coisa, menos aquela cara de quem preferia ver o demônio em carne, osso e contas pra acertar naquele momento, menos eu. Hoje meu objetivo deixou de ser a tua felicidade e se tornou a minha busca por mim mesma, e acredite, eu não vou parar até me encontrar. Só não esquece que eu te amei de verdade. Que eu te dei todos os códigos secretos pra habitar dentro de mim e te deixei pintar meu peito com a tua cor preferida. Que eu fui a mais santa de todas as santas e a mais puta de todas as putas só pra te fazer feliz. E fiz, disso eu não tenho dúvidas. Nem mesmo rodeada de caminhos mais simples e melhores eu hesitei em passear contigo pelos vales mais assustadores da desordem, do medo, da insegurança. Era ali que eu queria estar porque era ali que eu podia te tocar, te sentir e te ter. Você chegou onde nenhum, jamais, conseguiu chegar. Eu fui sua garota por todos aqueles fantásticos dias e te deixei sentir a alegria de ter alguém incondicionalmente por perto. Qualquer infeliz no seu lugar se sentiria abençoado por todo sentimento nobre que eu te ofereci, que você aceitou, mas que levou embora. Deixando em troca um buraco do tamanho da camada de ozônio no meu peito. Agora chegou a hora de voltar pro pedestal. De continuar talhando essa imagem de bom moço que todos admiram e respeitam. Escondendo daqueles que são dignos de fazer parte da tua vida toda a sujeira que você faz quando esquece a razão e deixa o coração agir. Se por acaso, numa possibilidade extremamente remota, você sentir a minha falta, lembre-se que eu ainda vou estar procurando a minha vergonha na cara. E como você sempre chega tarde demais pra fazer alguma diferença, provavelmente eu já vou ter encontrado.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Tu olhas pra ti e te amas, é o que está certo...
Eu me arrebentei, assim, porque o nó era fraco. Frouxo. Mal dado. Eu afundei, em segundos, porque no meu casco havia um buraco milimétrico por onde o mar entrou, aos poucos. Inteiro.. Eu caí com o primeiro vento porque não havia tijolos. Eu era construção mal feita. Erguida na pressa. Madeira com pregos mal batidos. Fachada. Eu derreti ao sol porque era de plástico. Sumi no sopro porque era pó. Eu me quebrei na primeira queda porque, por dentro, não havia mais nada. Eu me sentia forte, sem saber que já era oco.
domingo, 22 de agosto de 2010
Primeiro passo para a paz: reconciliar-se consigo próprio.

Você se sente em casa dentro do seu corpo? Muitos não passam de hóspedes de si mesmos… Estar em paz é aceitar serenamente que você não tem munição suficiente para levar todos os seus planos adiante e não possui um exército que diga amém para todos os seus delírios. Você está só e é um sujeito heróico dentro do possível. Costuma ir à luta por um emprego, por um amor, por grana, por objetivos razoáveis e quando não dá certo, não dá. E quando erra, paciência, e quando acerta, oba, e quando está cansado, se recolhe, e quando está triste, chora. E quando está alegre, vibra, e quando enxerga longe, vai em frente, e quando a visão embaça, freia. E quando está sozinho, chama, e quando quer continar sozinho, não chama. Primeiro passo para a paz: reconciliar-se consigo próprio. É o que a gente pode fazer de mais concreto, por mais abstrato que pareça.

terça-feira, 17 de agosto de 2010
Coração igual a circo?
Sou uma palhaça assistindo o circo pegar fogo. O fogo que você colocou e logo em seguida se arrependeu. Percebeu, que você também morreria queimado. E eu como uma boa palhaça rindo, rindo do seu desespero, sufocado querendo sair desse fogo e não consegue. Cada vez mais o fogo aumenta. E você cada vez mais se sente arrependido. Passa na mente aquele filme clichê, de tudo o que aconteceu nesse circo. E de quanto deu trabalho levantar essas lonas, de quantos sufocos foi preciso para ergue-las. Lembra que esse fogo foi só pra afastar a palhaça, que tem medo de fogo, e vê a bailarina andar na corda bamba. Uma aventura boba. Se arrepende mais uma vez, mas nesse seu desespero, você olha pro lado e vê uma torneira que leva até a palhaça, que é só dela, só ela pode abri o registro. E você implora, pede socorro, grita, mais uma vez se arrepende. Pela milésima vez se arrepende da aventura... E pede que a palhaça aqui te salve, mas a palhaça só sabe rir, rir, rir. Cada vez mais só sabe rir. Pra esconder a dor de ver você virar cinzas por não pensar no que isso poderia causar. Mas o fogo continua, e você também continua pedindo para a palhaça abri o registro. Deixar a bailarina queimar sozinha, queimar a bailarina. Você olha para outro lado e vê o seu amigo, o dono do circo, querendo entender quem foi que colocou todo esse fogo. E você mente, grita, mais uma vez se arrepende e diz que foi a droga da bailarina quem colocou fogo. Você não pode deixar ele saber que foi você quem fez esse estrago porque só ele pode te ajudar a ter um circo só seu. Mais uma vez se arrepende. Continua pedindo socorro a palhaça porque você quem construiu a palhaça, você sabe do que ela é capaz. Capaz de te deixar queimar, e também capaz de te salvar como ninguém jamais salvaria, porém ela não quer mais te salvar... junto ao fogo, morre também a palhaça e nasce alí uma nova mulher: a que não gosta de circo!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Hora de arrumar a vida...

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar, tanta coisa bonita nas lojas por aí. Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto.
Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Promova o desapego...
Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida. O maior. Aquele que você nunca superou. É o tipo da pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado do que humano. E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. De solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba ou até mesmo triste. Com carros que correm para esbanjar uma grana gasta com coisas sem amor, bilhetes de reclamação de barulho, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele. (...) Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra de vez em quando pra ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e...será que não dá para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para trás, nossos amores, nossos empregos, casas...um dia seremos nós a desaparecer. Mas a lição que eu aprendi no sábado é que não vale a pena consertar um carro pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. Afinal, eu bem que tentei consertar meu relacionamento com todas essas pessoas e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.
